Argentina além de Messi: entenda a importância do país

A Argentina tem mostrado um desempenho surpreendente na Copa do Mundo, superando seleções consideradas fortes como Cabo Verde, Egito e Suíça. Com Messi brilhando em campo, fica claro que a genialidade não tem prazo de validade. A trajetória da equipe até a semifinal, onde enfrentou a Inglaterra de Harry Kane e Jude Bellingham, estava longe de ser uma caminhada tranquila. Na verdade, a imagem de um campeão parece um pouco enganosa. Agora, percebemos que as vitórias anteriores não se devem apenas à presença de Messi, mas à força coletiva da equipe argentina.

Essa Argentina me faz lembrar de uma reflexão do ex-jogador Jorge Valdano, que escreveu sobre como o futebol é um jogo profundamente humano e, ao mesmo tempo, cheio de contradições. Justo quando achamos que entendemos a dinâmica do jogo, algo inesperado acontece e nos deixa sem palavras.

No jogo em Atlanta, a equipe estava perdendo por 1 a 0 após o gol de Gordon, marcado aos 55 minutos do primeiro tempo. Parecia que a situação não iria mudar. No entanto, mesmo enfrentando um time inglês que se defendia com todas as forças, a Argentina não desistiu. O time pressionou, mas a bola não entrava. Era como se estivesse presa entre o goleiro Pickford e a trave.

Mas essa Argentina, sob o comando de Scaloni, tem uma resiliência impressionante. Não há goleiro ou azar que impeça a equipe de lutar por mais. Inspirados pela abordagem defensiva do técnico alemão Thomas Tuchel, que fortaleceu a defesa da Inglaterra, os argentinos mudaram a estratégia no segundo tempo. E, em um momento de pura magia entre os minutos 85 e 92, conseguiram transformar a partida.

Aos 85 minutos, Enzo Fernández empatou e, aos 92, Lautaro Martínez garantiu a vitória com um gol que selou o destino dos ingleses. O que se viu foi uma equipe argentina determinada, enquanto os ingleses, que pareciam um time mecânico e impessoal, se esgotaram na defesa e não conseguiram reagir.

Agora, com a final contra a Espanha à vista, é importante reconhecer que essa Argentina é muito mais do que Messi. Ela tem o goleiro Emiliano, os zagueiros Romero e Lisandro Martínez, o volante Paredes, os meias Mac Allister e Enzo Fernández, além do atacante Julián Álvarez. E, quando tudo parecia perdido, Lautaro Martínez apareceu para brilhar. Todos eles seguem as ideias do talentoso treinador Lionel Scaloni, que consegue equilibrar tradição e modernidade no comando da equipe.

A rivalidade no futebol pode gerar sentimentos intensos, mas não vale a pena alimentar o ódio. Essa Argentina parece ter um gosto especial por ser desafiada e, para o bem ou para o mal, é uma equipe que não pode ser ignorada.

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João Ribeiro