A pré-temporada do Liverpool sob o comando de Andoni Iraola está começando a mostrar sinais claros do que o novo treinador espera para a equipe. Depois de vitórias animadoras contra o Sunderland, em Nashville, e o Wrexham, em Nova York, Iraola compartilhou um plano interessante para a temporada 2026/27. Ele quer reposicionar Florian Wirtz como um jogador que atue atrás do centroavante, acreditando que essa mudança pode trazer à tona a melhor versão do atleta.
Iraola comentou sobre a importância de Wirtz na equipe, destacando que ele precisa estar em sua melhor forma. “Sabemos o que ele pode nos oferecer e como ele se encaixa no nosso estilo de jogo”, disse o treinador. A ideia é que Wirtz jogue numa posição mais central, onde pode explorar sua criatividade e agilidade, além de se tornar uma peça chave nas jogadas ofensivas.
Essa mudança de posição é significativa e vai além de um simples ajuste tático. Representa um esforço do treinador para ajudar Wirtz a recuperar a confiança. O jogador chegou ao Liverpool com grande expectativa, mas teve uma temporada de adaptação que não foi lá essas coisas. Contratado como um dos jogadores mais caros da história do clube, ele não conseguiu mostrar o futebol que encantou a Bundesliga com o Bayer Leverkusen. Embora tenha melhorado nos últimos meses da temporada passada, ainda estava longe de ser o jogador decisivo que se esperava.
Agora, com uma nova abordagem e um novo treinador, o Liverpool acredita que a próxima temporada pode ser um ponto de virada. Mas como Iraola planeja fazer isso? Quando ele menciona colocar Wirtz “atrás de um atacante”, isso sugere uma função que lembra muito o papel do camisa 10 moderno. Não se trata apenas de um meia clássico que cria jogadas, mas de um jogador que pode se movimentar livremente entre as linhas adversárias, acelerar os ataques e chegar com frequência à área.
Na prática, essa função pode se assemelhar à de um segundo atacante, dependendo da formação usada. Em times que já foram treinados por Iraola, o jogador central geralmente tem liberdade para pressionar o adversário, explorar os espaços e trocar de posição com os atacantes. Essa mobilidade é exatamente o que faz parte das características de Wirtz. No Bayer Leverkusen, ele se destacou por saber se posicionar entre os volantes e a defesa adversária, sempre buscando passes verticais e surpreendendo na área.
No entanto, na sua primeira temporada com os Reds, Wirtz enfrentou um desafio. Ele atuou em diversas posições, desde meia ofensivo até ponta esquerda, e até como falso centroavante em alguns momentos. Essa variação pode ter dificultado sua adaptação ao estilo intenso da Premier League, que exige uma dinâmica diferente em relação a outras ligas, como a Bundesliga.
E não é só Wirtz que passa por essa transição. A adaptação de jogadores que vêm de ligas diferentes para o Campeonato Inglês costuma ser um processo demorado. A Premier League é marcada por uma intensidade física alta, transições rápidas e uma pressão constante, o que pode ser um choque para atletas que estão acostumados a estilos de jogo diferentes.
Isso não quer dizer que as características de Wirtz sejam incompatíveis com a Premier League. Na verdade, muitos jogadores criativos enfrentam dificuldades semelhantes antes de se destacarem. O importante é que o treinador consiga criar um ambiente favorável para que essas qualidades apareçam. E ao falar abertamente sobre como pretende utilizar Wirtz, Iraola demonstra que busca oferecer a estabilidade tática que o jogador precisa para evoluir.
Iraola também reconhece que está em um processo de adaptação. “Quero acreditar que estou melhor do que no ano passado, com mais experiência na Premier League. Agora é um desafio diferente, as expectativas são maiores e é um aprendizado para mim também”, comentou. A pré-temporada está indo bem, e ele se mostra otimista sobre a integração dos jogadores mais experientes à nova proposta de jogo. A equipe está no caminho certo, e essa nova fase promete ser interessante de acompanhar.