A obsessão pelo Al Ahly na trajetória de Marwan Attia até a Copa

Para muitos jogadores, representar o clube do coração é um sonho que, com o tempo, pode parecer distante. Mas com Marwan Attia, a história foi diferente. Por anos, o desejo de jogar pelo Al Ahly foi como uma estrela-guia que orientou sua carreira no futebol egípcio. Quando finalmente foi apresentado ao gigante do Cairo, em janeiro de 2023, a emoção tomou conta. Ele compartilhou um pouco da sua infância, dos ídolos que acompanhava pela televisão e da alegria de, enfim, vestir a famosa camisa vermelha que tanto sonhou.

Attia começou a jogar futebol aos sete anos e, desde então, seu maior sonho sempre foi defender as cores do Al Ahly. Quando a proposta chegou, ele não pensou duas vezes. “Senti no fundo do meu coração que estava realizando um desejo que cultivei a vida toda”, disse ele, revelando a importância desse momento.

### O peso de sonhar com o maior clube da África

O Al Ahly, fundado em 1907, é um dos clubes mais emblemáticos do Egito e do continente africano. Com uma história repleta de títulos, esse time tem um peso simbólico que poucos clubes conseguem ter. Para os torcedores, ganhar não é apenas uma expectativa, mas uma obrigação. Essa pressão constante é acompanhada pela devoção de milhões de fãs, tanto no Egito quanto em outras partes da África.

Marwan Attia foi um desses torcedores apaixonados. Ele guarda com carinho as memórias da final da Liga dos Campeões da CAF em 2006, quando Mohamed Aboutrika marcou o gol da vitória nos minutos finais. Esse momento não ficou apenas na história do clube, mas na memória do garoto que assistia tudo da sua casa. Anos depois, já como jogador profissional, ele se lembraria de Aboutrika e de Mohamed Shawky como seus ídolos. Ambos tiveram carreiras brilhantes no Al Ahly e inspiraram muitas gerações.

### O sonho realizado e a mudança de patamar

Antes de chegar ao Al Ahly, Attia teve uma trajetória mais discreta. Revelado pelo Al Ittihad Alexandria, ele trilhou um caminho diferente, longe dos holofotes. Sua ascensão foi lenta, mas firme. Sem a explosão física de alguns colegas, ele se destacou pela inteligência tática e regularidade em campo. Atuando como volante, mostrou-se um jogador que lê bem as partidas e é disciplinado defensivamente.

Os olheiros de clubes maiores logo começaram a notar seu talento. E quando a oportunidade de defender o Al Ahly apareceu, sua decisão já estava tomada. Ele sempre sonhou com isso. A adaptação ao novo time foi rápida. Ao invés de sentir a pressão, Attia se sentiu à vontade ao lado de grandes jogadores, competindo em torneios de alta intensidade.

Desde que chegou, ele fez parte de conquistas significativas, incluindo três Campeonatos Egípcios e duas Ligas dos Campeões da CAF. Ele se tornou um jogador mais confiante e completo, assumindo responsabilidades na equipe. A competição acirrada ajudou a moldar suas habilidades, sem perder o que o tornou reconhecido.

### Da arquibancada à Copa do Mundo com o Egito

O sucesso no Al Ahly também teve reflexo na seleção nacional. Attia foi convocado pela primeira vez para o Egito em agosto de 2022, enquanto ainda jogava no Al Ittihad. Sua estreia, no entanto, só aconteceu em março de 2023, já com a camisa do Al Ahly, mostrando como a mudança de clube acelerou sua evolução.

Com o tempo, ele se tornou uma presença constante nas convocações e ganhou cada vez mais espaço na equipe. Em uma entrevista à Fifa, ele descreveu a classificação do Egito para a Copa do Mundo de 2026 como um dos momentos mais marcantes da sua carreira. Para ele, representar seu país no maior torneio de futebol do mundo é uma imensa honra.

A seleção egípcia, tradicional no continente, busca se destacar também nos Mundiais. E nessa nova fase, Attia é uma peça fundamental. Embora seu trabalho muitas vezes passe despercebido, sua atuação é crucial para garantir um meio-campo equilibrado, protegendo a defesa e ajudando os jogadores mais criativos.

Sua convocação para a Copa Africana de Nações de 2025 solidificou seu lugar no grupo, e meses depois, ele foi confirmado para o Mundial. Para Attia, estar no torneio nos Estados Unidos, Canadá e México representa muito mais do que uma conquista esportiva. É a continuação de uma história guiada pela paixão. A criança que sonhava com a camisa vermelha do Al Ahly e celebrava os gols dos seus ídolos agora chega ao palco mais importante do futebol mundial, representando o Egito. Nem todos os sonhos de infância resistem ao tempo, mas o de Marwan Attia se tornou uma bela realidade.

Sobre o Autor

João Ribeiro