A seleção de Cabo Verde fez história nesta segunda-feira (15) ao conseguir um empate contra a forte equipe da Espanha na sua estreia no Mundial de 2026. Esse jogo, que abriu o grupo H do torneio, foi marcado pela impressionante atuação do goleiro Vozinha e pelo esforço coletivo do time. Mas, além dos jogadores, há um grande responsável por esse feito: o técnico Pedro Leitão Brito, carinhosamente conhecido como Bubista, que construiu sua trajetória no futebol com coragem e determinação.
Bubista tem uma lembrança marcante da Copa do Mundo de 1982, que aconteceu na Espanha. Na época, ele era um garoto de 12 anos e, durante um momento especial, teve acesso a uma televisão que um imigrante trouxe para a sua ilha, Boa Vista. Isso se tornou um evento na comunidade, e ele se recorda da emoção de assistir aos jogos. “Para ver a Copa, era preciso pagar, e a maioria de nós não tinha dinheiro. Às vezes, a gente dava um jeito de entrar, mas logo éramos descobertos”, contou ele em uma entrevista.
O amor pelo esporte sempre esteve presente na vida de Bubista. Ele lembra das jogadas improvisadas com meias costuradas por sua mãe e como jogavam bola nas ruas, mesmo quando não tinham uma bola de verdade. O ídolo da época, Maradona, também inspirou o jovem Bubista a sonhar grande. Com o passar do tempo, ele se tornou jogador profissional e, por 11 anos, foi capitão da seleção nacional.
Após se aposentar, ele não se distanciou do futebol. Bubista começou como auxiliar técnico e, em 2020, assumiu como técnico principal da seleção de Cabo Verde. Desde então, ele tem levado os Tubarões Azuis a conquistas históricas, como a classificação para a Copa Africana e, agora, para a Copa do Mundo. Ele destaca que o sonho de todo cabo-verdiano sempre foi participar desse torneio.
### Coragem como Mantra
A palavra “coragem” é um verdadeiro lema para Bubista. Ele acredita que essa atitude é fundamental para enfrentar qualquer adversário. Em suas conversas com os jogadores, ele enfatiza a importância de acreditar no próprio potencial. “Sempre soubemos que tínhamos talento, mas era necessário ter coragem para ir além”, explica.
A trajetória nas eliminatórias começou com um empate em casa contra Angola, seguido de uma vitória contra Essuatíni. Mas o jogo mais desafiador foi contra Camarões, onde enfrentaram problemas logísticos e acabaram perdendo. Apesar da derrota, Bubista manteve a confiança de que a equipe estava se desenvolvendo bem.
Após uma sequência de vitórias, Cabo Verde chegou a uma partida decisiva contra a Líbia. A equipe estava perdendo, mas, em um momento dramático, conseguiu empatar e quase virar o jogo, embora o gol da vitória tenha sido anulado. Isso deixou a classificação para a Copa do Mundo em suspense até a última rodada.
No “jogo da vida”, como muitos chamaram, Cabo Verde enfrentou Essuatíni. Com uma vitória por 3 a 0, o país garantiu sua primeira vaga na Copa do Mundo. Para Bubista, isso significou muito mais do que apenas uma conquista esportiva; era uma oportunidade de mostrar a cultura e a identidade cabo-verdiana ao mundo.
### Um Novo Desafio no Mundial
Agora, com a estreia no Mundial, Cabo Verde teve um desempenho admirável contra a Espanha, garantindo um empate sem gols. “Mostramos a força do nosso país. Essa Copa do Mundo é uma chance de nos divertirmos e mostrarmos quem somos”, disse Bubista após o jogo.
Ele reforçou a importância de competir sem medo, mantendo a identidade do povo cabo-verdiano em mente. “Estamos aqui pelo nosso povo. Nossa bandeira será vista no maior palco do futebol, e isso é uma grande alegria para um país pequeno como o nosso”, completou o técnico.
O caminho pela frente ainda é desafiador, mas a coragem e determinação de Bubista e de toda a equipe prometem fazer desta uma experiência memorável para Cabo Verde.