Seleção francesa: uma história que não me inspira sonho

Iliman Ndiaye é um dos atletas que traz a singularidade da dupla nacionalidade nesta Copa do Mundo. O atacante do Everton, da Inglaterra, tem raízes profundas em Senegal, mas poderia facilmente ter optado por defender a seleção francesa, que é uma das favoritas. Desde pequeno, no entanto, ele fez uma escolha clara: representar seu país de origem.

A partida entre Senegal e França está marcada para esta terça-feira (16), às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey, e promete ser um momento especial para Ndiaye. Ele nasceu em Rouen, na França, filho de pai senegalês e mãe francesa, o que lhe deu a liberdade de escolher entre as duas nações. Para ele, a conexão com sua herança senegalesa sempre foi mais forte do que qualquer outra influência.

Ndiaye veio ao mundo logo após a França conquistar seu primeiro título mundial, em 1998. Desde então, acompanhou de perto os sucessos da seleção, mas foi a derrota da França para Senegal, em 2002, que realmente o marcou. Embora não tenha assistido ao jogo ao vivo, ele viu essa partida centenas de vezes e a emoção nunca diminui. Aquele jogo de abertura da Copa do Mundo, realizado na Coreia do Sul e no Japão, ficou gravado em sua memória. Senegal surpreendeu o mundo ao vencer os campeões atuais, e a trajetória da seleção naquela Copa, até as quartas de final, inspirou Ndiaye e muitos outros.

### A Escolha de Senegal

Ndiaye construiu sua carreira nas categorias de base de clubes na França, começando no Rouen Sapins, sua cidade natal, e passando pelo Olympique de Marseille. Mesmo tendo tido a oportunidade de jogar pela seleção francesa, ele nunca sentiu uma conexão verdadeira com aquele time. Uma memória marcante foi quando, ainda jovem, assistiu a um jogo da seleção francesa no Stade de France com seu primeiro clube. Apesar da experiência incrível, ele percebeu que seus sonhos não estavam alinhados com os de Les Bleus.

“Minha primeira lembrança da seleção francesa é dessa visita ao Stade de France. Foi incrível, mas a Seleção Francesa nunca me fez sonhar. Não faz parte da minha história”, revelou Ndiaye. Mesmo depois de ver a França se sagrar campeã mundial em 2018, seu desejo de representar Senegal se manteve firme.

### Segunda Copa do Mundo

Em 2022, Ndiaye teve a chance de jogar sua primeira Copa do Mundo com a seleção de Senegal. No início, ele ficou como reserva, mas acabou se destacando e jogou como titular na partida contra o Equador. Naquele torneio, ele estava no Sheffield United, mas agora defende o Everton e está pronto para enfrentar a França novamente, relembrando a emocionante trajetória de 2002.

O jogador destaca que a Copa do Mundo de 2002 é um assunto constante nas conversas em Senegal. “Quando soubemos que iríamos enfrentar a França, a conversa sobre 2002 voltou com força. Todos esperavam por esse jogo”, comentou.

Senegal está no Grupo I, ao lado de França, Noruega e Iraque, considerado um dos grupos mais difíceis do torneio. O time busca igualar a performance de 2002 e até alcançar as semifinais, como fez Marrocos no último Mundial. Ndiaye participou da Copa Africana de Nações no início do ano, e, apesar de algumas controvérsias sobre o título, ele se sente como um campeão e espera que a força do grupo o leve a novas conquistas na América do Norte.

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João Ribeiro