Haitiano de 68 anos revive paixões na Copa do Mundo

Arnold Lamy, um haitiano de 68 anos, sempre sonhou em ver seu país participar de uma Copa do Mundo. Quando criança, no Haiti, isso parecia algo distante, mas agora ele se encontra em uma situação única: seu país vai jogar contra o Brasil, a seleção que ele acompanha há mais de cinquenta anos. O jogo acontece nesta sexta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, nos Estados Unidos.

Ver o Haiti competindo no Mundial já seria incrível, mas enfrentar o Brasil, uma seleção que ele admira desde os tempos de Pelé, torna tudo ainda mais especial. Para Arnold, esse momento é uma mistura de emoções, unindo suas raízes e uma paixão alimentada por décadas.

### A Conexão com o Brasil

A relação de Arnold com o futebol brasileiro começou cedo. Nascido em 1958, o mesmo ano em que o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, ele cresceu admirando jogadores que se tornaram ícones, como Pelé, que ajudou a transformar o Brasil em uma potência do futebol. Mas, para Arnold, a seleção brasileira era muito mais do que um time vitorioso. Ela representava esperança e inspiração para muitos haitianos.

“Muitos de nós nos identificávamos com o Brasil porque víamos pessoas que se pareciam conosco brilhando no cenário mundial”, compartilha Arnold. Ele lembra como o estilo de jogo do Brasil, repleto de confiança e criatividade, tornava o futebol uma arte.

A presença de Pelé teve um impacto profundo. O Rei do Futebol não só conquistou três Copas do Mundo, mas também deixou uma marca indelével na memória da geração de Arnold. “Pelé era um símbolo de excelência. Quando ele visitou o Haiti em 1971, isso se tornou parte da nossa história. Para muitos de nós, o Brasil se tornou uma segunda seleção”, conta.

### Um Conflito de Emoções

Agora, ao ver Haiti e Brasil se enfrentando no Mundial, Arnold reflete sobre suas memórias de infância. “Foi difícil de acreditar. Um lado representa minha terra natal e o outro, meu amor pelo futebol”, diz ele, lembrando-se do menino que sonhava em ver o Brasil jogar.

O Haiti, que não participava de uma Copa do Mundo há 52 anos, fará sua estreia contra o Brasil, que já conquistou o torneio cinco vezes. A última participação do Haiti foi em 1974, quando não avançou além da fase de grupos, apesar de ter marcado um gol histórico. Arnold, apesar do carinho pelo Brasil, declara que sua torcida será pelo Haiti. “Não há dúvida. O Haiti é meu país, minhas raízes. Mas também vou celebrar o Brasil, que moldou meu amor pelo futebol.”

### A Emoção de Estar Presente

Este ano, Arnold teve uma experiência inesquecível ao assistir a um amistoso entre Brasil e Croácia. Ele ficou emocionado ao reviver sua infância nas arquibancadas. “Foi como reencontrar uma parte de mim mesmo. Por alguns momentos, não era um avô, mas aquele jovem haitiano encantado pela camisa amarela”, lembra.

Para Arnold, a importância do jogo vai além do resultado. Ele deseja que o mundo reconheça o crescimento do futebol haitiano e a força de seu povo. “O resultado perfeito seria uma partida memorável que deixasse ambos os países orgulhosos. Para mim, mesmo que o Haiti não vença, quero que as pessoas vejam nossa coragem e determinação.”

### Celebrando a Conexão

Com ambos os times buscando a vitória, Arnold tem uma mensagem clara: o encontro entre Haiti e Brasil é uma celebração. Ele ressalta que o futebol une as pessoas e que a amizade entre os dois países é muito mais do que um simples jogo. “A história entre nossos povos é rica e cheia de respeito mútuo. Aos brasileiros, obrigado por inspirarem gerações de haitianos. E aos haitianos, sintam orgulho, nossa bandeira está tremulando no maior palco do mundo.”

Sobre o Autor

João Ribeiro