A vitória do Brasil por 3 a 0 contra o Haiti, na segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo, trouxe um alívio aos torcedores. O time, sob o comando de Carlo Ancelotti, apresentou um futebol bem mais envolvente do que na estreia, quando empatou com Marrocos. No entanto, as críticas não param. Muitos acreditam que a Seleção perdeu sua essência, especialmente com tantos jogadores deixando o país para jogar na Europa tão cedo.
Esse assunto foi debatido no programa “Copa em Contexto”, da Trivela, que foi ao ar no YouTube no último sábado (20). Os colunistas Allan Simon e Tim Vickery discutiram a ideia de que os jogadores brasileiros perdem sua identidade ao jogar fora do Brasil. Tim, com seu jeito direto, refutou essa visão ao comparar a realidade do Brasil com a da Argentina, onde muitos jovens também vão para a Europa cedo, mas continuam mantendo sua essência futebolística.
Ele começou ressaltando que o discurso sobre a perda de essência não se sustenta. “Olhem para a Argentina, onde todo mundo joga, e essa ideia cai”, apontou Tim. E a discussão foi além. Allan questionou se a seleção argentina, que venceu a Argélia por 3 a 0 com um hat-trick de Messi, joga um “futebol à moda antiga”. O meio-campo argentino, com jogadores como Rodrigo De Paul e Enzo Fernández, foi elogiado por suas combinações rápidas e toques precisos, que possibilitaram ótimas chances de finalização.
Tim Vickery defendeu que a Argentina é a prova de que é possível jogar em ligas europeias, na Arábia Saudita ou na MLS e ainda assim manter a essência do futebol sul-americano. Para ele, a identidade do futebol não se perde apenas pela mudança de clubes, mas começa na base, nos anos formativos dos jogadores. Ele acredita que isso molda como eles se comportarão durante a carreira, independentemente de onde joguem.
O colunista também não concorda com a ideia de que o Brasil não forma mais meio-campistas de qualidade. Ele destacou que, assim como De Paul encontrou Messi em jogadas incríveis, Lucas Paquetá também tem um talento semelhante. “Não é falta de jogadores, mas sim falta de ideias sobre como a bola deve circular no meio-campo”, afirmou. Para Tim, a discussão sobre a incapacidade de ganhar a Copa com jogadores de clubes menores é um equívoco. Ele lembrou que Mac Allister estava no Brighton quando ajudou a Argentina a conquistar o título. É hora de deixar de lado preconceitos e entender que a qualidade do jogador não depende apenas do clube em que joga.