A Copa do Mundo do campo aberto e seu sucesso crescente

A Copa do Mundo de 2026 já está em sua segunda rodada, e uma coisa ficou bastante clara: quem consegue jogar melhor em campo aberto está se dando bem. Resultados como o empate entre Espanha e Cabo Verde e a vitória da Austrália sobre a Turquia mostram que dominar a bola não é mais suficiente. A grande sacada é saber como aproveitar os espaços amplos do campo.

Nos últimos anos, o futebol passou por uma transformação interessante. Durante uma década, o estilo de jogo que predominou priorizava a posse de bola e um controle mais paciente da partida. Esse padrão começou a mudar, e a era do campo aberto chegou. O sucesso de Pep Guardiola no Barcelona abriu portas para essa nova abordagem. Sob sua influência, o futebol espanhol conquistou três títulos seguidos de Eurocopa e Copa do Mundo entre 2008 e 2012. Guardiola levou suas ideias para a Alemanha, onde a seleção se tornou campeã em 2014, e também para a Inglaterra, que foi finalista nas últimas duas edições do torneio.

Os times mais fortes eram aqueles que dominavam o chamado Jogo de Posição, que envolve passes curtos, manipulação de espaços e uma disposição estratégica dos jogadores. O Manchester City, sob Guardiola, foi um exemplo perfeito desse estilo, conquistando diversos títulos, incluindo a Champions League. Outros treinadores, como Thomas Tuchel e Hansi Flick, também implementaram essas ideias com sucesso em suas equipes.

No entanto, a história do futebol é feita de ciclos. Em algum momento, essas táticas se tornam conhecidas e novas formas de superá-las surgem. Nos últimos anos, observamos equipes mais compactas e defensivas, que trouxeram desafios inesperados para os gigantes do esporte. Essas equipes, com uma disciplina tática exemplar, têm se mostrado eficazes em competições, gerando surpresas em mata-matas e dificultando a vida de times que se baseiam na posse de bola.

Jogar em campo aberto é o mesmo que contra-atacar?

É fácil confundir, mas jogar em campo aberto e contra-atacar são coisas diferentes. O contra-ataque acontece quando um time recupera a bola e avança rapidamente, aproveitando a desorganização do adversário. Mas essa não é a única maneira de se jogar em campo aberto. Alguns times preferem uma transição mais lenta, organizando-se totalmente antes de atacar.

Por exemplo, as equipes de Roberto De Zerbi atraem a pressão adversária para seus defensores, criando buracos que podem ser explorados em um ataque vertical. Mesmo quando controlam a posse, essas equipes buscam jogar em campo aberto. O PSG de Luis Enrique faz algo semelhante ao esvaziar o meio-campo, atraindo os defensores para os lados e, em seguida, atacando o centro.

Os resultados da Copa do Mundo mostram que essa abordagem tem dado certo. A seleção francesa, com seu estilo ousado no 4-2-4, é um ótimo exemplo. Com jogadores se movimentando constantemente, eles conseguem criar espaços para aproveitar. Na estreia, enfrentaram Senegal, que tentava defender alto, e os franceses aproveitaram para fazer gols em lançamentos.

A vitória da Austrália sobre a Turquia também ilustra essa dinâmica. Com menos de 30% de posse de bola, os australianos se defenderam bem e brilharam em contra-ataques, resultando em dois gols. Por outro lado, Espanha e Portugal tiveram dificuldades. A República Democrática do Congo marcou contra Portugal em um contra-ataque, enquanto a Espanha, dominadora do Jogo de Posição, encontrou muito desafio em um Cabo Verde que se defendeu bem.

A seleção brasileira também enfrentou problemas contra Marrocos, que se defendeu de maneira compacta, dificultando as jogadas. O gol brasileiro só aconteceu graças a uma jogada individual de Vinícius Júnior. As equipes que têm uma boa defesa e aproveitam as oportunidades em campo aberto estão se destacando na Copa do Mundo. O campeonato de 2026 tem mostrado que jogar em campo aberto é uma estratégia eficaz tanto para quem gosta de ter a bola quanto para quem prefere um estilo mais defensivo.

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João Ribeiro