A seleção norueguesa pode ser a ‘nova Croácia’ da Copa

A Noruega sempre teve uma relação curiosa com o futebol internacional. Enquanto o país revelava jogadores de destaque, como Erling Haaland e Martin Ødegaard, a seleção nacional não conseguia traduzir esse potencial em resultados nas grandes competições. A espera pela classificação em Copas do Mundo se arrastou por quase trinta anos. Mas essa história está mudando.

Finalmente, a Noruega voltou ao Mundial em 2026, e sua estreia foi impressionante. A vitória por 4 a 1 sobre o Iraque deixou uma boa impressão, principalmente com Haaland marcando dois gols e mostrando que a equipe está mais madura e bem organizada do que em outros ciclos. Apesar do bom começo, ainda é cedo para compará-la a seleções tradicionais como França ou Argentina. Os próximos desafios, como o duelo contra Senegal, prometem ser bem mais difíceis e vão revelar a real capacidade da equipe.

Uma nova fase para a seleção norueguesa

Essa volta ao Mundial representa uma virada na trajetória da seleção. Nas Eliminatórias, a Noruega teve uma campanha quase perfeita, vencendo todos os oito jogos que disputou. O mais interessante é que, sob o comando de Stale Solbakken, a equipe deixou de depender apenas de talentos individuais e passou a ter uma identidade coletiva mais clara. Essa mudança se reflete em um jogo mais equilibrado, com uma defesa sólida e um ataque veloz e criativo.

Haaland, claro, é a estrela do time e foi o artilheiro na fase de classificação, com 16 gols. Mas a força da Noruega vai muito além dele. Jogadores como Ødegaard trazem criatividade ao meio-campo, e Sorloth adiciona presença física na frente. A equipe é mais versátil do que em gerações passadas, o que a torna capaz de se adaptar a diferentes estilos de jogo, seja controlando a posse contra adversários mais fracos ou acelerando as transições contra times mais fortes.

O desafio da estreia e as lições aprendidas

Embora a vitória sobre o Iraque tenha sido convincente, o jogo teve seus altos e baixos. Depois de abrir o placar, a Noruega viu o adversário empatar e, em vez de desmoronar, reagiu rapidamente com outro gol de Haaland. Essa capacidade de responder sob pressão é um bom sinal, mas também revelou algumas vulnerabilidades. A defesa, em certos momentos, deixou a desejar e permitiu que o Iraque criasse oportunidades perigosas. Em jogos futuros, esse tipo de erro pode ser fatal.

Ainda assim, a Noruega não carrega a mesma pressão histórica que seleções como Brasil ou Argentina. Isso pode ser um trunfo, pois a equipe entra em campo com menos obrigações e mais liberdade para jogar. Se conseguir vencer Senegal e garantir a classificação para as fases eliminatórias, a confiança pode crescer, e a equipe começará a ser vista de maneira diferente.

O que esperar da Noruega no Mundial?

O cenário é promissor, mas é difícil prever o que vai acontecer. A Noruega pode acabar sendo eliminada nas oitavas de final, mas também pode repetir as surpresas que marcaram outras Copas, como as trajetórias da Croácia e de Marrocos. O talento está presente, a organização também, e com um dos atacantes mais decisivos do mundo, a seleção tem tudo para fazer história. Neste Mundial mais aberto do que nunca, quem sabe não estamos diante de uma das histórias mais interessantes a se desenrolar?

Sobre o Autor

João Ribeiro