A trajetória cinematográfica de Liam Millar, atacante canadense

Liam Millar pode não ser o nome mais famoso do futebol canadense, mas sua trajetória é bem interessante. Enquanto Alphonso Davies e Jonathan David brilham como estrelas da seleção, Millar tem trilhado um caminho mais discreto, cheio de mudanças e adaptações. E tem uma curiosidade que faz sua história se destacar: ele cresceu em uma família ligada ao cinema.

O pai de Liam, Alan Millar, teve uma breve passagem pelo futebol profissional nas categorias de base do Charlton Athletic, mas acabou se dedicando à indústria do entretenimento. Ele trabalhou nos bastidores de grandes produções, atuando como eletricista e montador técnico em séries famosas como Game of Thrones e Peaky Blinders. Já sua mãe, Jo-Ann MacNeil, se tornou uma renomada maquiadora em Hollywood, com créditos em filmes como Duna e Esquadrão Suicida, que ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem.

Quando Liam tinha apenas 13 anos, a família se mudou para a Inglaterra, em busca de oportunidades para que ele se tornasse jogador de futebol. Essa mudança, viabilizada pela carreira dos pais, foi um ponto crucial na sua trajetória. Depois de ser cortado nas seletivas do Toronto FC, ele decidiu tentar a sorte no futebol europeu. O pai deixou seu trabalho na indústria cinematográfica para apoiar Liam no Fulham, enquanto a mãe se dividiu entre produções na América do Norte e o suporte à família.

A jornada de Liam não foi fácil. Ele cresceu entre Brampton e Oakville, em Ontário, e passou pelas categorias de base de alguns clubes locais antes de se aventurar no futebol inglês. Ao chegar ao Fulham, percebeu rapidamente que o nível de competitividade era bem mais alto do que estava acostumado no Canadá. Ele se destacou pela velocidade e habilidade em atacar os espaços, o que chamou a atenção do Liverpool, que o contratou em 2016.

No Liverpool, Liam passou pelas categorias sub-18 e sub-23 e até fez uma participação no time principal sob o comando de Jurgen Klopp. No entanto, com tantos jogadores talentosos ao seu redor, ele viu que teria dificuldades em conquistar um espaço fixo no elenco. Assim, começou uma série de empréstimos para clubes como Kilmarnock e Charlton Athletic, onde teve um desempenho mais discreto.

Em 2021, Millar se transferiu para o Basel, na Suíça, onde finalmente teve a chance de se estabelecer. Lá, ele marcou gols importantes e ajudou o time na campanha da Conference League, ganhando também mais espaço na seleção canadense. Depois de passar por um empréstimo no Preston North End, ele se juntou ao Hull City, mantendo seu perfil de jogador tático e intenso, mas sem números impressionantes.

Na seleção canadense, Liam assume um papel semelhante ao que desempenha em seus clubes: ele é uma peça fundamental, sem ser o protagonista. Desde sua estreia em 2018, ele se tornou uma opção valiosa, especialmente em transições rápidas. Na Copa do Mundo de 2022, participou da estreia contra a Bélgica, mesmo que o Canadá tenha sido eliminado na fase de grupos.

Porém, o maior desafio de sua carreira veio em outubro de 2024, quando sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho. A recuperação foi longa e difícil, mas ele contou com o apoio de Jesse Marsch, o treinador da seleção, que se tornou uma figura essencial durante esse processo. Marsch não apenas ofereceu apoio profissional, mas também se preocupou com o lado humano da situação, convidando Liam e sua família para passar um tempo em sua casa na Toscana.

A Copa do Mundo de 2026 promete ser um momento especial para Liam. O torneio, que será realizado em casa, também terá a Suíça como um dos adversários na fase de grupos, um reencontro com o país onde ele defendeu o Basel. Para Millar, essa competição não é apenas sobre o futebol; é sobre transformar a percepção do esporte no Canadá. Ele acredita que, ao participar de um evento tão grandioso, pode inspirar as crianças a sonharem em se tornar jogadores de futebol, ajudando a criar uma cultura mais forte em torno do esporte no país.

Assim, a história de Liam Millar é um retrato de superação e adaptação, marcada por uma infância diferente e a escolha de seguir um caminho longe dos holofotes do cinema. Ele está determinado a deixar sua marca nos gramados, escrevendo seu próprio roteiro na história do futebol canadense.

Sobre o Autor

João Ribeiro