A trajetória do ‘Capita de 70’ que quase não aconteceu

Em fevereiro de 1970, a seleção brasileira estava prestes a brilhar na Copa do Mundo, mas Carlos Alberto Torres, que era o capitão, perdeu essa posição. Ele havia recebido a faixa pela primeira vez em junho de 1968, quando ainda era bem jovem, com apenas 24 anos. Esse momento foi simbólico, pois representava a transição de Djalma Santos, um ícone da lateral direita, que se aposentou após 16 anos e 113 jogos pela seleção. Naquele dia, no Pacaembu, Carlos Alberto não apenas substituiu Djalma, mas também assumiu a responsabilidade de liderar o time.

Apesar de ter sido um dos destaques em sua volta à seleção, a trajetória de Carlos Alberto como capitão estava prestes a mudar. Ele continuou a liderar a equipe durante os amistosos e nas Eliminatórias, já sob o comando de João Saldanha. Mas, em fevereiro de 1970, Saldanha decidiu que Piazza seria o novo capitão. O treinador levou em conta a habilidade de Piazza em se comunicar em inglês e espanhol, acreditando que isso ajudaria na interação com árbitros e jogadores europeus. Piazza era visto como um “líder silencioso”, enquanto surgiam críticas ao estilo mais explosivo de Carlos Alberto.

Na época, alguns ex-jogadores expressaram suas opiniões sobre a liderança de Carlos Alberto. Bellini, que também foi capitão da seleção, sugeriu que ele precisava de mais apoio da equipe para lidar com sua personalidade forte. Zito, que já havia sido capitão no Santos, observou que Carlos Alberto poderia ser acomodado em momentos críticos, enquanto defendia Gérson como uma opção mais adequada para a liderança, por sua determinação e sinceridade.

Mas o destino tinha outros planos. Após a lesão de Piazza em março, Carlos Alberto reassumiu a braçadeira durante um amistoso contra o Chile, que também marcou a estreia de Zagallo como técnico. Ele estava determinado a mostrar seu valor e logo se destacou, liderando o Brasil em sua primeira partida do Mundial contra a Tchecoslováquia.

No jogo seguinte, contra a Inglaterra, Carlos Alberto teve que mostrar sua coragem. Após algumas entradas duras de um jogador inglês, ele percebeu que precisava se impor, para que a equipe não fosse vista como fraca. Ele pediu a Pelé que também agisse, mas acabou tomando a iniciativa. Essa atitude foi importante para o time, e ele se destacou em campo, mesmo que sua atuação inicial não tivesse sido perfeita, levando críticas em relação à sua liderança.

Conforme o torneio avançava, Carlos Alberto começou a se firmar e ganhou elogios, especialmente após uma atuação sólida nas quartas de final contra o Peru. Sua defesa foi crucial na vitória sobre o Uruguai e, finalmente, no jogo decisivo contra a Itália, ele brilhou. A partir do segundo tempo, suas jogadas rápidas e precisas foram fundamentais, culminando em um gol que se eternizou na memória do futebol.

Aos 25 anos, Carlos Alberto se tornou o capitão mais jovem da história das Copas do Mundo. Após a vitória, ele foi celebrado como um grande líder. Mesmo quando as lesões o afastaram da seleção, ele foi respeitado e, ao voltar em 1977, recebeu novamente a faixa, um reconhecimento da importância que teve para o futebol brasileiro.

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João Ribeiro