África defende aumento de vagas na Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026 trouxe uma novidade empolgante: o aumento do número de seleções participantes, que passou de 32 para 48. Essa mudança fez com que as equipes africanas, afiliadas à Confederação Africana de Futebol (CAF), tivessem uma chance ainda maior de brilhar no torneio. Ao todo, nove seleções africanas conseguiram se classificar para os 16 avos de final, só ficando atrás da Europa, que teve 13 representantes. Para dar uma ideia, a América do Sul contou com cinco, a Concacaf com três e a Ásia também com três seleções.

O que está por trás desse bom desempenho das equipes africanas é a ampliação das vagas disponíveis. A CAF passou de cinco vagas diretas para nove, além de uma para a repescagem. O aproveitamento nas eliminatórias foi impressionante: 90%, o maior entre todas as confederações. As seleções que representaram o continente foram África do Sul, Marrocos, Costa do Marfim, Tunísia, Egito, Cabo Verde, Senegal, Argélia, República Democrática do Congo e Gana.

Infelizmente, a Tunísia teve um desempenho abaixo do esperado e foi eliminada na fase de grupos, perdendo todas as suas partidas. A situação foi complicada, especialmente com a demissão do técnico Sabri Lamouchi logo após o primeiro jogo. Apesar de ter um grupo desafiador com Suécia, Japão e Holanda, a mudança de comando não ajudou.

Histórias de Superação

No entanto, o desempenho de outras seleções africanas foi muito mais positivo. Cabo Verde, por exemplo, fez história ao conseguir empatar com a Espanha, um dos favoritos ao título, e com a Arábia Saudita, além de ter um emocionante 2 a 2 com o Uruguai. Esse pequeno arquipélago, com apenas 560 mil habitantes, conseguiu avançar invicto na fase de grupos, e sua trajetória já é motivo de orgulho para todos os cabo-verdianos. O goleiro Vozinha e o meia Kevin Lenini se destacaram, e a conexão com o Brasil é forte, já que muitos cabo-verdianos são fãs da cultura brasileira.

Agora, Cabo Verde enfrentará um desafio e tanto nos 16 avos: a Argentina, atual campeã mundial. Não importa o resultado dessa partida; a história já está escrita, e será lembrada por gerações.

Novos Marcos para as Seleções Africanas

Além de Cabo Verde, outras seleções também atingiram feitos importantes. A África do Sul, a Costa do Marfim, o Egito e a República Democrática do Congo conseguiram se classificar para o mata-mata pela primeira vez. O Congo, em especial, teve uma trajetória emocionante, voltando a uma Copa do Mundo após décadas, superando um passado difícil marcado por conflitos. Os Leopardos conseguiram um empate com Portugal e uma vitória decisiva sobre o Uzbequistão, mostrando a força do futebol congolês em tempos de dificuldade.

A África do Sul começou mal, perdendo para o México, mas se recuperou ao empatar com a Tchéquia e vencer a Coreia do Sul. O Egito, liderado pelo craque Mohamed Salah, conseguiu avançar ao vencer a Nova Zelândia, enquanto a Costa do Marfim teve bons momentos com jovens talentos como Yan Diomande e o experiente Nicolas Pépé.

As Forças do Continente

Marrocos se consolidou como a maior força do continente, tendo alcançado a semifinal na última Copa do Mundo. Eles mostraram sua força ao empatar com o Brasil e vencer tanto a Escócia quanto o Haiti. Contudo, o desafio na próxima fase será a Holanda, que se destacou pelo futebol regular.

Senegal, que foi campeão da última Copa Africana, também conseguiu se classificar e tem um time cheio de potencial, apesar de alguns desafios administrativos. Eles enfrentam agora uma Bélgica instável e têm chances de surpreender.

Gana e Argélia avançaram como terceiras colocadas, mas sem grande destaque na fase de grupos. Gana, sob o comando de Carlos Queiroz, precisa se defender bem contra a Colômbia, enquanto a Argélia busca se encontrar em campo na partida contra a Suíça.

O desempenho das seleções africanas na Copa do Mundo de 2026 mostra que o futebol do continente vai além de estereótipos. Eles têm se provado capazes de competir entre as melhores do mundo. Apesar de alguns desafios, o que ficou claro é que a Copa do Mundo deste ano será lembrada como um marco na história do futebol africano.

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João Ribeiro