Ancelotti desconsidera situação após fraca estreia do Brasil

Quando o árbitro esloveno decidiu acrescentar mais dez minutos ao jogo entre Brasil e Marrocos, fiquei me perguntando: isso é bom ou ruim? A dúvida surgia porque, naquele momento, o Brasil parecia um tanto perdido em campo, sem saber como reagir à pressão dos marroquinos. Para se ter uma ideia, na última jogada da partida, o goleiro Alisson teve que fazer uma defesa incrível para evitar a derrota.

Os brasileiros não têm muito a reclamar, pois a superioridade técnica e tática do Marrocos ficou bem clara durante o jogo. O que é surpreendente é que nem mesmo os próprios jogadores marroquinos aceitaram o empate como uma vitória. Isso diz muito sobre a confiança e a postura da equipe, que não se intimidou diante do Brasil, uma seleção historicamente forte.

Esse empate acabou sendo um alívio temporário para o Brasil, quase como um curativo em uma ferida que poderia ter sido muito mais profunda com uma derrota. Tirando Vinicius Junior, que ainda mostrou alguma capacidade de decidir em jogadas isoladas, o restante da equipe se comportou de maneira bastante comum. A falta de laterais que pudessem dar mais opções de ataque deixou o time dependente de um meio de campo que, na verdade, não conseguiu criar boas oportunidades.

Com jogadores como Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá, a equipe teve dificuldade para chegar ao gol adversário, dependendo mais da sorte do que de uma estratégia bem definida. E a situação se complicou ainda mais quando Ancelotti, nas entrevistas pós-jogo, não reconheceu a má performance da equipe. Ao invés de refletir sobre os erros cometidos, ele atribuiu a culpa à pressão da estreia. Isso é preocupante, pois pode indicar um autoengano que não ajuda a equipe a enfrentar suas dificuldades reais.

Se a seleção não reconhecer suas fraquezas e continuar a acreditar que a angústia é uma desculpa aceitável, as chances de evolução são bastante limitadas.

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João Ribeiro