A final da Copa do Mundo de 2026, que acontece neste domingo (19), vai colocar frente a frente Espanha e Argentina, dois gigantes do futebol mundial. Essa será apenas a segunda vez que essas duas seleções se encontram em uma final do torneio, um reencontro que traz à memória o único duelo anterior, ocorrido há 60 anos, em 1966, na Inglaterra. Naquela ocasião, a Argentina saiu vitoriosa, marcando um momento importante na história do futebol e ajudando a desmantelar a primeira grande geração espanhola.
Na abertura do grupo 2 daquela Copa, a Espanha contava com um time repleto de estrelas, como Paco Gento, Iribar e Luis Suárez, sob a liderança do técnico José Villalonga. Por outro lado, a Argentina, que vivia um momento de incertezas e mudanças frequentes de comando, surpreendeu ao vencer por 2 a 1 no Villa Park, em Birmingham. Essa vitória foi um divisor de águas para a seleção argentina, que até então não era considerada uma grande força.
Como foi o primeiro duelo entre Argentina e Espanha em Copas do Mundo
Nos meses que antecederam o Mundial, a Argentina passou por três treinadores: José María Minella, que levou o time à classificação, Osvaldo Zubeldía, que ficou pouco tempo, e Juan Carlos Lorenzo, que era o técnico na competição. Apesar de ter grandes jogadores, a equipe não era vista como uma favorita. Contudo, o triunfo sobre a Espanha transformou a narrativa e fez com que a seleção ganhasse destaque.
A Espanha, que havia conquistado a Eurocopa dois anos antes e contava com muitos dos mesmos jogadores, era vista como favorita. Entre eles, Luis Suárez, que já era um ícone por ter sido o primeiro espanhol a ganhar a Bola de Ouro em 1960. O time estava recheado de talento e experiência, mas, em campo, as coisas se equilibraram.
O jogo foi intenso, com chances para ambos os lados. Depois de um primeiro tempo disputado, a Argentina abriu o placar com um gol de Luis Artime, após um cruzamento preciso de Jorge Solari. A Espanha não se deixou abalar e empatou rapidamente com um gol de José Martínez Pirri. No entanto, Artime estava em um dia inspirado e garantiu a vitória argentina com um belo gol, selando um momento memorável para a seleção.
Um relato do jornalista argentino Osvaldo Ardizzone, publicado na revista “El Gráfico”, captura bem a emoção daquele triunfo. Ele descreveu a vitória como uma experiência que transcendeu o futebol, destacando o espírito de união e determinação que movia a equipe. Segundo ele, uma seleção se torna grande quando seus jogadores se sentem iguais e lutam juntos por um objetivo comum.
O caminho até as quartas de final
Após vencer a Espanha, a Argentina empatou com a Alemanha Ocidental, que acabaria sendo vice-campeã, e derrotou a Suíça, garantindo uma vaga nas quartas de final. No entanto, a trajetória terminou em um jogo polêmico contra a Inglaterra, onde o capitão Antonio Rattín foi expulso, dando início a uma rivalidade que perdura até hoje. Apesar da eliminação, a imprensa argentina elogiou o time, destacando a força e a determinação demonstradas em campo.
A Espanha, por sua vez, conseguiu se recuperar após a derrota para a Argentina e venceu a Suíça. Mas acabou eliminada na fase de grupos, repetindo a decepção de 1962, quando também não conseguiu avançar. A geração espanhola que começou a brilhar naquele momento se desfez após o Mundial, levando 12 anos para retornar ao torneio. Somente em 2010 a Espanha conquistou seu primeiro título mundial, um feito que parecia distante durante anos.
Agora, 16 anos depois, a Espanha busca seu segundo título, enquanto a Argentina, tricampeã, almeja o tetra. A expectativa para a final é grande e todos os olhos estarão voltados para o duelo que promete ser inesquecível. O jogo acontece às 16h (horário de Brasília) e, com certeza, será mais um capítulo emocionante na rica história dessas duas seleções.