Às portas da fase de mata-mata da Copa do Mundo, a pressão sobre as grandes seleções aumenta, principalmente quando se trata de evitar derrotas. Um momento que ficou na memória dos torcedores foi a decisão de trocar o goleiro só para as cobranças de pênaltis. Isso aconteceu em 2014, durante a Copa do Mundo no Brasil, nas quartas de final entre Países Baixos e Costa Rica. O jogo terminou empatado em 0 a 0, e após a prorrogação, a decisão seria nas penalidades. Os costarriquenhos já haviam passado por essa situação antes, nas oitavas de final contra a Grécia.
A grande virada na partida se deu quando Louis Van Gaal, o técnico da seleção holandesa, decidiu fazer uma das substituições mais inusitadas da história do futebol. Jasper Cillessen, o goleiro titular, saiu de campo para dar lugar a Tim Krul. O resultado foi impressionante: Krul defendeu duas cobranças, garantindo a passagem da Holanda para as semifinais.
Embora essa mudança tenha marcado a história do torneio, os detalhes que rodearam a decisão ficaram um tanto de lado. Recentemente, Tim Krul compartilhou suas lembranças sobre aquele dia em uma entrevista no “The Ben Foster Podcast”. Ele revelou que a ideia de entrar em campo para os pênaltis foi mencionada antes mesmo do jogo, quando o treinador de goleiros o chamou e disse que, se a partida fosse para as penalidades, ele poderia ser utilizado. Krul confessa que achou que isso não aconteceria, já que estavam enfrentando a Costa Rica.
Surpreendentemente, Cillessen não foi avisado da mudança e ficou visivelmente confuso quando foi substituído. Ele até chutou garrafas de água no banco, demonstrando sua frustração. Krul, por sua vez, teve que se aquecer rapidamente, algo incomum para goleiros reservas, e sentiu a pressão aumentar enquanto se preparava para o grande momento.
Na entrevista, Krul também comentou sobre a preparação para enfrentar os cobradores da Costa Rica. Ele havia estudado o estilo de cobrança dos jogadores e, apesar de sentir que poderia ter se saído melhor em algumas defesas, decidiu seguir seu instinto. Na primeira cobrança, ele foi por um lado e quase conseguiu defender. Mas, na segunda, quando Bryan Ruiz se apresentou para a cobrança, Krul se aproximou e provocou o adversário. Ruiz tentou o mesmo canto do primeiro cobrador, mas Krul se lançou com tudo e fez a defesa.
Krul se mostrou confiante e continuou a provocar os cobradores, o que pareceu afetar o desempenho deles. Ele defendeu mais uma cobrança e, com isso, garantiu a vitória da Holanda. Após a partida, o time foi chamado para uma conversa com Van Gaal, onde Krul descobriu que a reação de Cillessen não havia passado despercebida. Van Gaal fez questão de deixar claro que esse tipo de desrespeito não seria tolerado em sua equipe.
Com o passar do tempo, Frans Hoek, treinador de goleiros da seleção, também falou sobre a estratégia adotada naquela Copa. Ele comentou que, no início, os três goleiros convocados não tinham um bom histórico em defesas de pênaltis. Assim, a equipe decidiu fazer algo diferente e apostar em Krul, que se destacou não apenas pela técnica, mas também pela sua mentalidade e confiança.
Embora Krul tenha brilhado na partida contra a Costa Rica, ele não teve a mesma oportunidade na semifinal contra a Argentina. Van Gaal gostaria de repetir a estratégia, mas, devido a lesões e ao número limitado de substituições, não foi possível. Naquela partida, Cillessen assumiu a responsabilidade nas penalidades, mas acabou não conseguindo defender nenhum dos chutes dos argentinos.
Essa história nos lembra como o futebol é cheio de surpresas e decisões inesperadas. Momentos como esses ficam gravados na memória dos torcedores e mostram que, às vezes, até as escolhas mais ousadas podem levar a grandes conquistas.