Lesões da Inglaterra na Copa do Mundo desafiam convocação de Tuchel

Thomas Tuchel, o técnico da seleção inglesa, sorriu ao comentar sobre o empate sem gols contra Gana, dizendo que a partida não reflete as limitações do time escolhido para a Copa do Mundo de 2026. Ele evitou lamentar as ausências e lembrou que até seleções favoritas, como o Brasil, também enfrentaram dificuldades na fase de grupos.

Apesar de Tuchel descartar a ideia de que os jogadores que não foram convocados seriam a solução para os problemas da equipe, o assunto voltou à tona após duas lesões importantes. Sem Reece James e com algumas incertezas no meio-campo, muitos questionam se ele deveria ter convocado jogadores mais experientes.

A atuação da Inglaterra contra Gana reacendeu críticas já existentes desde a divulgação da lista de convocados. A situação ficou ainda mais complicada com a confirmação de que Reece James não poderá jogar contra o Panamá e talvez também fique fora do mata-mata. Além disso, as condições físicas de Declan Rice e Elliot Anderson não ajudam, aumentando a sensação de que algumas escolhas de Tuchel podem ter limitado as opções da equipe em um momento crucial.

O empate contra Gana não foi apenas um tropeço. Ele reforçou uma impressão sobre a seleção: a Inglaterra se sai bem quando tem espaço para atacar, mas enfrenta dificuldades quando os adversários jogam de forma defensiva. No duelo, a Inglaterra terminou com 78% de posse de bola, mas conseguiu apenas quatro finalizações no gol. Tuchel fez cinco substituições ofensivas tentando mudar essa dinâmica, mas o ataque continuou previsível e sem conseguir criar jogadas eficazes.

Depois da vitória contra a Croácia, o desempenho contra Gana foi um balde de água fria. O treinador reconheceu que o problema não é exclusivo da Inglaterra. “É complicado para qualquer time enfrentar uma defesa tão fechada. Às vezes, tudo depende de um momento de qualidade, como um bom cruzamento ou um chute de fora da área”, explicou Tuchel. Essa reflexão é válida, mas surge uma pergunta: não seriam jogadores como Cole Palmer, Phil Foden ou Adam Wharton os especialistas que poderiam ajudar?

Palmer se destacou na Euro 2024, Foden, mesmo em uma fase menos inspirada com o Manchester City, ainda é um dos jogadores mais criativos da seleção, e Wharton é conhecido por controlar o ritmo do jogo e encontrar passes em espaços reduzidos.

As lesões também trouxeram novas críticas. Reece James é uma baixa significativa, especialmente em um setor que já estava comprometido. Sem Trent Alexander-Arnold, Tuchel deve escalar Djed Spence, que, embora seja destro, pode atuar na lateral-esquerda, enquanto Nico O’Reilly pode assumir a posição oposta. A ausência de Alexander-Arnold levanta questões, já que ele traz habilidades únicas para o ataque, ajudando a quebrar defesas fechadas com passes longos e uma circulação de bola mais rápida.

Apesar das dificuldades, Tuchel mantém a confiança nas escolhas feitas antes do torneio. Ele acredita que o grupo foi formado com base no desempenho recente dos jogadores e na estratégia que pretende adotar. Para ele, pensar que quem ficou de fora seria uma solução simples é uma visão reducionista.

Entretanto, o cenário mudou. Além das lesões, alguns atletas não conseguiram reproduzir o desempenho que mostraram nos amistosos. Anthony Gordon perdeu força no ataque pela esquerda, Marcus Rashford tem sido utilizado de forma pontual, e o time parece depender cada vez mais de jogadas de bola parada e transições rápidas para ameaçar o adversário.

O próximo desafio será contra o Panamá, que deve se comportar de maneira defensiva, o que exigirá que a Inglaterra encontre soluções para um problema que já se mostrou ser seu maior obstáculo na Copa. E, com certeza, a discussão sobre as ausências vai continuar, afinal, em torneios curtos como a Copa do Mundo, lesões e mudanças de desempenho podem transformar decisões antes consideradas sólidas em escolhas questionáveis.

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João Ribeiro