mudança na copa do mundo prejudica o futebol, afirmam críticos

A Copa do Mundo de 2026 trouxe uma novidade que tem dado o que falar: as partidas, que costumavam ter dois tempos de 45 minutos, agora são jogadas em quatro tempos de 22 minutos e 30 segundos. Essa mudança foi criada pela FIFA para garantir que os jogadores se mantenham bem hidratados, especialmente considerando o calor intenso do verão norte-americano. As pausas para hidratação são obrigatórias e já estão gerando reações variadas nas arquibancadas.

Nos estádios dos Estados Unidos, Canadá e México, muitos torcedores não têm hesitado em vaiar quando o árbitro sinaliza essas interrupções. A ideia de implementar essas pausas surgiu após as experiências do Mundial de Clubes em 2025, onde as altas temperaturas se mostraram um desafio. No entanto, essa nova dinâmica tem mudado a cara do futebol, e não faltam vozes críticas.

Um dos mais notáveis opositores a essa mudança é Marcelo Bielsa, técnico da seleção do Uruguai. Para ele, a introdução de quatro tempos altera a essência do jogo. Bielsa acredita que essa modificação não apenas muda a forma como o futebol é jogado, mas também impacta a cultura que o rodeia. Em uma coletiva de imprensa, ele foi bem claro: “Jogar em quatro tempos altera a concepção e a cultura que haviam sido construídas para interpretar o futebol. Essa mudança não acrescenta em nada e tira muito.”

Além de mudar a dinâmica do jogo, essas pausas também abriram espaço para anúncios publicitários. Antes, os anunciantes só podiam divulgar suas marcas nos intervalos. Agora, esses momentos de hidratação são aproveitados para propagandas, o que não agradou a todos. O impacto das pausas na partida já foi notado em jogos como Alemanha 2 x 1 Costa do Marfim, onde a pausa ajudou a mudar o curso da partida. A Costa do Marfim abriu o placar logo após a hidratação, mas a Alemanha conseguiu se reerguer e virar o jogo na reta final.

Bielsa ainda destacou a falta de consideração sobre como essa nova estrutura poderia afetar a essência do futebol: “Quando se decidiu dividir em quatro, não se pensou no efeito que isso poderia ter sobre o que fez do futebol um esporte que encanta.” Ele reconheceu que algumas mudanças, como a introdução do VAR, foram positivas, mas questionou o impacto das novas pausas.

Na estreia do Uruguai na Copa, Bielsa também enfrentou os desafios dessa nova realidade. Contra a Arábia Saudita, o time levou um gol logo após a pausa para hidratação, conseguindo empatar apenas no final da partida e somando um ponto no Grupo H. O Uruguai tem um novo desafio pela frente, pois enfrenta Cabo Verde neste domingo (21), no Estádio de Miami. E, antes do início dessa segunda rodada, todas as equipes do grupo têm um ponto.

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João Ribeiro