Trabalho na tradição de Johan Cruyff

A eliminação da seleção dos Países Baixos nos pênaltis contra Marrocos, durante os 16-avos-de-final da Copa do Mundo, trouxe mudanças significativas para a equipe. Ronald Koeman, que estava no comando, decidiu se afastar do cargo, e agora a seleção está em busca de um novo treinador. Um nome que tem sido bastante comentado entre as lendas do futebol holandês é o de Pep Guardiola.

Recentemente, o jornal “De Telegraaf” fez uma enquete com figuras históricas do futebol da Holanda, como Aad de Mos, Ruud Krol, Guus Hiddink e Ronald de Boer, para saber quem eles acham que deveria liderar a seleção. A maioria deles apontou Guardiola como a melhor opção, especialmente por sua capacidade de se alinhar à filosofia de jogo ofensivo que caracteriza a tradição do futebol holandês.

Atualmente, Guardiola está livre no mercado, já que encerrou seu contrato com o Manchester City após a temporada 2025/26. No entanto, ele já deixou claro que pretende tirar um tempo sabático, sem pressa de voltar ao futebol. Hiddink, uma das lendas mencionadas, comentou sobre a possibilidade de Guardiola assumir o cargo, destacando que ele é um técnico que segue a tradição de Johan Cruyff, uma figura icônica do futebol da Oranje.

De Boer também expressou seu apoio à ideia, ressaltando que Guardiola sempre reconheceu a influência de Cruyff em sua carreira. Para De Boer, essa seria uma ótima oportunidade para Guardiola mostrar sua gratidão a um dos maiores mentores do futebol. A questão que fica é se Guardiola poderia realmente resgatar a identidade de jogo que Cruyff estabeleceu nos Países Baixos.

Guardiola, aos 55 anos, nunca escondeu a importância de Cruyff para sua formação como jogador e treinador. Ele sempre valorizou o jogo ofensivo e a posse de bola, princípios fundamentais que Cruyff defendia. Durante a partida contra Marrocos, a seleção dos Países Baixos não seguiu essa linha, apresentando um desempenho abaixo do esperado, com apenas 30% de posse de bola e menos finalizações que o adversário.

A escolha tática de Koeman, que optou por um esquema com três zagueiros, foi bastante criticada pela torcida, especialmente porque essa formação não tinha sido utilizada anteriormente no torneio. Jogadores que eram titulares na fase de grupos, como Tijjani Reijnders, ficaram de fora, o que só aumentou as críticas à abordagem do treinador.

Embora seja uma ideia atraente para muitos, a chance de Guardiola assumir a seleção ainda parece distante. De Boer lembrou que o treinador se afastou do Manchester City devido à pressão e ao desgaste mental. Mesmo assim, ele acredita que a federação de futebol dos Países Baixos deveria explorar essa possibilidade, pois Guardiola seria uma excelente representação para a seleção.

Ao final, muitos esperam que os Países Baixos encontrem um treinador que possa trazer de volta a essência do futebol holandês, e Guardiola continua sendo um nome que gera grandes expectativas entre os fãs.

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João Ribeiro